A Alemanha tem este fetiche de controlo sobre os outros... a História Europeia diz-nos que sempre que o tentaram, a coisa não correu bem."Só a Alemanha pode evitar uma crise de proporções apocalípticas"
“Serei provavelmente o primeiro chefe da diplomacia polaca a dizê-lo: temo menos o poder do que a inacção da Alemanha”. A afirmação é de Radoslaw Sikorski, ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, que lançou ontem um apelo desesperado, em Berlim, junto às portas de Brandeburgo, para que a Alemanha utilize plenamente os poderes que só ela tem para salvar a união monetária europeia.
Depois de ter identificado o “risco do colapso do euro” ( a que a Polónia não pertence) como o maior perigo que o seu país enfrenta, à frente do terrorismo ou dos mísseis russos, Sikorski lançou um apelo dramático - mais dramático ainda, tendo em conta o passado recente sangrento dos dois países.
“Peço à Alemanha que, por si e por todos nós, ajude [o euro] a sobreviver e a prosperar”. Caso contrário, toda a União Europeia corre o risco de mergulhar numa “crise de proporções apocalípticas”.
Sikorski prossegue o seu apelo num artigo de opinião hoje publicado no "Financial Times", mas, aqui, atribui muitas culpas pela actual situação à própria Alemanha. "Alemanha, sabe-o bem, não é uma vítima inocente do esbanjamento de outros. E devia ter pensado duas vezes quando violou o Pacto de Estabilidade e Crescimento e permitiu que os seus bancos comprassem obrigações arriscadas". Razões que reforçam a sua conclusão de que "Berlim tem de admitir que é a principal beneficiária do sistema actual e que tem, portanto, a maior obrigação de o tornar sustentável".
A pressão para que a Alemanha permita pôr em marcha expedientes ousados capazes de sossegar os mercados de que o euro veio para ficar intensificou-se enormemente nos últimos dias, à medida que a crise da dívida se alastrou a praticamente todos os países da união monetária.
Essa urgência foi ontem abertamente sinalizada pela OCDE, segundo a qual na ausência de "medidas contundentes", os agentes económicos devem "preparar-se para o pior" porque as consequências arriscam ser "devastadoras". Não apenas para a Zona Euro – que regressará à recessão, com uma queda do PIB de 1% neste quarto trimestre e de 0,4% no próximo – mas para toda a economia mundial, que pode entrar "numa profunda depressão".
Depois da estratégia do "passo por passo", Berlim garante estar a ultimar uma solução "rápida" que passará por alterações "chave" aos Tratados para abrir caminho a uma "União de Estabilidade".
Em causa estará um novo "contrato" de disciplina orçamental, que significará a cedência de novas parcelas de soberania na preparação e execução dos orçamentos nacionais, "contrato" esse que poderá confortar o Banco Central Europeu (BCE), permitindo-lhe anunciar a disposição de ajudar sem limites os Estados comprometidos com essa nova "ordem de estabilidade".
Os ministros das Finanças dos países do euro reúnem-se esta tarde, mais uma vez completamente focados na crise do euro. Não são, no entanto, de esperar decisões concretas, a não ser a eventual libertação da nova tranche do empréstimo internacional à Grécia, de oito mil milhões de euros, depois de o novo Governo transitório, dirigido pelo economista Lucas Papademos, se ter comprometido avançar com as medidas de austeridade reclamadas pela troika.
Entretanto, a Itália tem os juros acima dos 7%, valor que obrigou Grécia, Irlanda e Portugal a pedir ajuda..
Itália estará a preparar plano de austeridade no valor de 20 mil milhões
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