Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

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prl
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Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa

Post by prl » Fri Mar 07, 2008 2:08 am

http://ultimahora.publico.clix.pt/notic ... id=1321809
Governo ratifica Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa
Com prazo de transição de seis anos


O Governo aprovou hoje a proposta do segundo protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1991, comprometendo-se a adoptar as medidas adequadas para "garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos".

A decisão, que ainda terá de ser sujeita à apreciação do Parlamento e do Presidente da República, Cavaco Silva, foi anunciada pelo ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, no final do Conselho de Ministros.

"O Estado português adoptará as medidas adequadas para garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos, nomeadamente ao nível da validação da ortografia constante dos actos, normas, orientações ou documentos provenientes de entidades públicas, bem como de bens culturais, incluindo manuais escolares, com valor oficial ou legalmente sujeitos a reconhecimento, validação ou certificação", lê-se no comunicado do Conselho de Ministros.

http://www.portugaldiario.iol.pt/notici ... div_id=291
Em termos práticos, o que muda com a ratificação do Acordo Ortográfico?

- a unificação da ortografia implica que 1.6 por cento do vocabulário português tem de ser modificado. No vocabulário brasileiro haverá 0.45 por cento de alterações. Isto é o que diz o Acordo, mas, na prática, a percentagem é muito maior na língua portuguesa, tanto mais que as palavras em causa são frequentemente usadas. a dupla grafia pode atenuar as «alterações».

- O alfabeto passa a ter 26 letras com a inclusão do «K», o «Y» e o «W»;

- apesar das mudanças a nível de ortografia, as pronúncias próprias de cada país continuam iguais.

- Exemplos de palavras que vão ter dupla grafia devido à diferença de pronúncia entre Portugal e Brasil: académico/acadêmico, amazónia/amazônia, anatómico/anatômico, António/Antônio, blasfémia/blasfêmia, cénico/cênico, cómodo/cômodo, efémero/efêmero, fenómeno/fenômeno, gémeo/gêmeo, género/gênero, génio/gênio, ténue/tênue, tónico/tônico e também bebé/bebê, bidé/bidê, canapé/canapê, caraté/caratê, cocó/cocô, croché/crochê, guiché/guichê, judo/judô, matiné/matinê, metro/metrô, puré/purê.

- Exemplos práticos de alterações na grafia: cai o «h» como em «húmido» e fica úmido, desaparecem o «c» e o «p» nas palavras onde não se lêem (são mudos), como acção, acto, baptismo ou óptimo.

- Mais exemplos de consoantes que desaparecem com o novo acordo: acionar, adjetival, adjetivo, adoção, adotar, afetivo, apocalítico, ativo, ator, atual, atualidade, batizar, coleção, coletivo, contração, correção, correto, dialetal, direção, direta, diretor, Egito, eletricidade, exatidão, exato, exceção, excecionalmente, exceções, fator, fatura, fração, hidroelétrico, inspetor, letivo, noturno, objeção, objeto, ótimo, projeto, respetiva, respetivamente, tatear.

- Nas sequências «mpc», «mpç» e «mpt», se o «p» for eliminado, o «m» passa a «n», como assunção e perentório.

- As terminações verbais «êem» deixam de ser acentuadas em Portugal e no Brasil (exemplos: creem, deem, leem, veem, incluindo os verbos com as mesmas terminações: descreem, releem, reveem, etc).

- Deixa de ter acento diferencial a forma verbal de «para».

- O acento diferencial para distinguir o passado do presente passa a ser facultativo.

- As formas monossilábicas do verbo haver perdem o hífen. Exemplos: «hei de», «hás de», «há de», «hão de». A palavra «fim-de-semana» também fica sem hífen.

- O hífen cai também em palavras compostas (em que se perdeu a noção de composição), que passam a ser escritas assim: mandachuva, paraquedas e paraquedista.

- Ainda em relação ao hífen: fusões de palavras quando há duplicação do «s» ou do «r», como antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, extrarregular, infrassom.

- O novo acordo recomenda também que se generalize a fusão quando a terminação é uma vogal e o segundo elemento começa com vogal diferente: extraescolar, autoestrada.

- Meses e estações do ano passam a escrever-se com letra minúscula.

- No vocabulário brasileiro desaparece o acento circunflexo em palavras como abençôo, vôo, crêr, lêr e outras. Desaparece também também o trema em palavras como lingüíça, freqüencia ou qüinqüénio, assim como o acento agudo nos ditongos abertos como por exemplo assembléia ou idéia.

Bom? Mau? Que acham?
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greenjam
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Post by greenjam » Fri Mar 07, 2008 9:11 am

estamos a passar por uma descaracterização da lingua portuguesa... queria ver se os ingleses mudavam em função do americanos!!

mas nós somos assim, muito correctos! ](*,) ](*,)
They were but stones our light made them stars!

NADA justifica o terrorismo!!!

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Post by espelho_retrovisor » Fri Mar 07, 2008 9:21 am

É uma medida que já se tornava necessária. A nossa lingua em termos de aprendizagem da grafia ja se estava a tornar obsoleta (isto na perspectiva de um falante não nativo). E como a grafia de uma lingua em nada altera a forma como o povo fala, parece-me uma boa medida. Vai facilitar a aprendizagem do português e uma consequente maior expansão da nossa lingua. Seja do "nosso" português, seja do português do Brasil (que tem uma maior, aliás muito maior comunidade de falantes e uma lógica emaior expansão!). Vai criar ainda uma ponte maior entre os dois povos e claro com os PALOP, que certamente tb serão influenciados com este novo acordo.
Pessoalmente vai-me fazer um pouco de confusão na escrita, em especial o "c" e o "p" desaparecem nalgumas palavras, de resto parece-me uma boa ideia. A nossa grafia é demasiado prolixa.

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Post by NothingW » Fri Mar 07, 2008 9:45 am

eu acho que as coisas estavam bem cm estavam, não percebo porque temos de mudar...
Mike McCready is gonna tuck you all in your sleeping bags with this next song

On this page you see a little girl giggling at a hippopotamus. I wonder, why?



http://meter-maid.blogs.sapo.pt/

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Post by Fly_AwAy » Fri Mar 07, 2008 9:48 am

fodasse... ou fodace?

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Post by NothingW » Fri Mar 07, 2008 10:01 am

Fly_AwAy wrote:fodasse... ou fodace?
foda-se :P
Mike McCready is gonna tuck you all in your sleeping bags with this next song

On this page you see a little girl giggling at a hippopotamus. I wonder, why?



http://meter-maid.blogs.sapo.pt/

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Post by Fly_AwAy » Fri Mar 07, 2008 10:04 am

NothingW wrote:
Fly_AwAy wrote:fodasse... ou fodace?
foda-se :P
tempo verbal: imperativo!

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Post by espelho_retrovisor » Fri Mar 07, 2008 10:15 am

NothingW wrote:eu acho que as coisas estavam bem cm estavam, não percebo porque temos de mudar...
Epah, o meu curso é da área, e esta é uma discussão que se arrasta à muito tempo. Todas as grandes línguas do mundo têm mudado e se adaptado aos novos tempos. A nossa tem que fazer o mesmo.

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Post by Nothingman » Fri Mar 07, 2008 12:00 pm

Uma paneleirice.

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Post by I_Got_ID » Fri Mar 07, 2008 12:04 pm

Mas adaptar aos novos tempos significa o quê, ao certo? Tornar a "língua original" de Portugal mais próxima da usado no Brasil? Qual é o contributo, real, disto?

Sinceramente, vai-me fazer muita confusão.
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Post by espelho_retrovisor » Fri Mar 07, 2008 12:09 pm

I_Got_ID wrote:Mas adaptar aos novos tempos significa o quê, ao certo? Tornar a "língua original" de Portugal mais próxima da usado no Brasil? Qual é o contributo, real, disto?

Sinceramente, vai-me fazer muita confusão.

Aproximar ao brasil é só uma consequência não um objectivo. O contributo real disto é tornar a nossa lingua mais práctica, compativel na relação escrita/oralidade e claro (e mais importante que tudo - cada vez mais necessário para tornar o pais mais apelativo social e comercialmente) facilitar a aquisição da lingua a pessoas não nativas. Qualquer um de nós sabe que o que se diz nem sempre é o que se escreve, a nosso grafia não reproduz na essência a nossa oralidade. Nós é que já estamos habituados e sempre a conhecemos assim! Para alguem que tenta aprender o português como segunda lingua é bem complicado. Em inglaterra fizeram o mesmo em 93 e actualizam o acordo a cada 6 anos desde então. Nós fizemos em 2008. Vá-la, não nos atrasamos assim tanto! :roll:
Last edited by espelho_retrovisor on Fri Mar 07, 2008 12:13 pm, edited 1 time in total.

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Post by I_Got_ID » Fri Mar 07, 2008 12:12 pm

espelho_retrovisor wrote:
I_Got_ID wrote:Mas adaptar aos novos tempos significa o quê, ao certo? Tornar a "língua original" de Portugal mais próxima da usado no Brasil? Qual é o contributo, real, disto?

Sinceramente, vai-me fazer muita confusão.

Aproximar ao brasil é só uma consequência não um objectivo. O contributo real disto é tornar a nossa lingua mais práctica, compativel na relação escrita/oralidade e claro (e mais importante que tudo - cada vez mais necessário para tornar ainda o pais mais apelativo social e comercialmente) facilitar a aquisição da lingua a pessoas não nativas. Qualquer um sabe que o que se diz nem sempre é o que se escreve, a nosso grafia não reproduz na esseência a nossa oralidade. Nós é que já estamos habituados e sempre a conhecemos assim!
Mas isso são especificidades da língua - o que a meu ver, só a enriquece!
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Post by espelho_retrovisor » Fri Mar 07, 2008 12:14 pm

Editei um pouco o outro post. Mas a lingua fica igual! Apenas a grafia se actualiza! E esta actualização até é bem suave, em comparação com algumas propostas apresentadas!

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Post by I_Got_ID » Fri Mar 07, 2008 12:19 pm

Sim, eu sei :P Mas para quem aprende não é por pormenores destes que se vai perder. Acho bem mais complicado as conjugações verbais e penso que é isso que torna a nossa língua mais difícil. A aproximação ao "português do Brasil" não me faz muito sentido. Os estrangeiros quando aprendem português ficam a falar "brasileiro" porque é-lhes mais fácil ( palavras mais abertas, será?) e não tem nada a ver com grafia.

úmido, elicópero, ipopótamo, ehehe Vou ter de voltar à escola ;)
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Post by espelho_retrovisor » Fri Mar 07, 2008 12:26 pm

Não é por pormenores deste que se perdem, mas já viste que assim a lingua fica melhor reproduzida? De certeza que já viste por exemplo aqui o Dvi a escrever em português? Muitas vezes ele escreve as palavras exactamente como elas são ditas! Mas, como a grafia tem n vicissitudes, algumas delas arcaicas, ele acaba por escrever mal as palavras. Logo, não faz mais sentido a grafia representar melhor a oralidade? É bem mais simples, menos prolixa e só vai fazer que a nossa língua ( que é linda) seja ainda mais conhecida e usada por todo o lado! Isso de falarem "abrasileirado" ou algo do género é uma questão apenas de pronúncia, não de grafia, logo isto não vem alterar nada. Aliás, até optaram pela dupla grafia (português vs brasileiro) nas questões de palavras que têm dois tipos diferentes de oralidade!

Em relação aos "h" tb me parece um exagero! Mas pronto...

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